Sem Parar 2025
o trabalho e a vida das mulheres
5 anos depois do início da pandemia
60%
das mulheres estão cansadas e com dores físicas em 2025.
A pandemia aumentou a carga de trabalho das mulheres no mercado de trabalho e em casa, mas o seu fim não resultou em alívio para elas. Pelo contrário: esse quadro de desgaste físico e emocional se associa à sobrecarga cotidiana. Embora o contexto pandêmico tenha sido superado, seus efeitos persistem na forma de exaustão e acúmulo de responsabilidades.
vida comunitária
37%
das mulheres entrevistadas participam de iniciativas comunitárias
A maioria das mulheres que participam das iniciativas comunitárias contribuem com organização, dedicação de tempo e doações. As mulheres sem escolaridade ou que têm apenas ensino fundamental, de baixa renda e de áreas rurais, proporcionalmente são as principais beneficiárias das iniciativas e ao mesmo tempo em que as constroem. Isso mostra que as iniciativas conseguem não só apoiar um grupo mais vulnerável, mas também renovar as redes de cuidado.
trabalho remunerado
67%
das mulheres relatam mudanças no trabalho remunerado após a pandemia
Com a pandemia, ocorreram inovações e novas possibilidades de trabalho em alguns setores. Porém, frente às demissões e o aumento do custo de vida, as mulheres encontram desafios para garantir uma boa vida para si e suas famílias. As respostas sobre o aumento da carga horária, o trabalho remoto como opção para redução de custos e jornadas longas prejudiciais à saúde são ilustrativas dessa precarização.
57%
das mulheres entrevistadas trabalham mais de 40 horas semanais
49%
das mulheres que participam de iniciativas da economia solidária contribuem com mais de 80% na renda familiar
A economia solidária fortalece o protagonismo feminino ao garantir autonomia econômica para as mulheres, sobretudo em situações de vulnerabilidade. Assim como todas as trabalhadoras, elas também acumulam trabalho remunerado, doméstico e de cuidado, enfrentando sobrecarga. A pesquisa mostra que a economia solidária, ao mesmo tempo em que é essencial para a composição da renda e a sobrevivência de diversas famílias, também se configura como parte da rede comunitária de cuidado na vida das mulheres.
trabalho doméstico
43%
das mulheres são as únicas responsáveis pelo trabalho doméstico não remunerado
Apesar do aumento dos espaços coletivos de cuidado, a divisão do trabalho doméstico permanece desigual no âmbito privado. Mesmo quando compartilham tarefas, as mulheres ainda assumem a maior parte, o que impacta negativamente seu acesso ao mercado de trabalho, formação, saúde, lazer e qualidade de vida. Pouco mais da metade das mulheres (55%) divide essas responsabilidades e, entre as mulheres rurais, a desigualdade é ainda mais acentuada. Diante disso, discutir a coletivização desses trabalhos é fundamental para promover a autonomia e o bem-estar das mulheres.
trabalho de cuidado
48%
das mulheres cuidam de alguém sem remuneração – a maioria são crianças e ou idosos da própria família
O trabalho de cuidado também recai desproporcionalmente sobre as mulheres. Cabe destacar que aqueles que majoritariamente recebem os cuidados são sujeitos vulneráveis e detentores de direitos cuja garantia é um dever do Estado. É urgente transformar essa realidade, garantindo que essa responsabilidade seja compartilhada tanto no âmbito privado quanto no público, por meio de políticas estruturantes que reconheçam o cuidado como uma necessidade social coletiva.
59%
das mulheres são cuidadas pelos seus parentes
Ao refletirem sobre o próprio cuidado, as entrevistadas recorrem predominantemente às suas relações pessoais. Ainda que a discussão acerca do trabalho não remunerado das mulheres inclua aspectos de coletivização e conte com a participação de muitas em iniciativas comunitárias, a percepção de apoio mantém-se individualizada. Existem dois desafios: ampliar a disponibilidade de espaços coletivos de cuidado e o entendimento de que o suporte coletivo também é imprescindível para quem cuida.
o que mudou
13%
foi o aumento da sobrecarga feminina no cuidado entre 2020 e 2025 — especialmente com idosos.
Em 2025, 43% das mulheres eram as únicas responsáveis pelo cuidado de alguém, contra 30% em 2020. O cuidado com idosos também cresceu, passando de 17% para 25%. Durante a pandemia houve redistribuição do trabalho doméstico e de cuidado, que não se manteve ao fim da emergência sanitária, retornando a carga de trabalho novamente para as mulheres. Isso prova que a distribuição mais igualitária da vida doméstica exige uma reestruturação intencional da sociedade, com políticas públicas e uma nova ética do cuidado compartilhado.